Olá meus queridos viajantes, tudo bem com vocês?
SURPRIIIIISE Õ/
Este é o centésimo post do blog (aêêê) e eu não queria fazer só um post do desafio musical, então eu decidi fazer um post sobre cinema considerando que é sobre o que eu mais tenho pesquisado ultimamente. O tema do post de hoje é um tentativa de quebrar um tabu que se tem à respeito de todas as produções nacionais só terem bandidos, palavrões, putaria.. e de que o cinema nacional não é bom.
É MENTIRA. Existem muitos filmes bons sim no cinema nacional, porém o problema é que esses filmes não são muito divulgados, principalmente porque os filmes que geralmente são divulgados aqui são os da Globo Filmes, que é a produtora que faz os filmes que são a maioria todos iguais mesmo. Então posso dizer que o problema do cinema nacional é o marketing que só existe em torno dos filmes clichês e que seguem o padrão hollywoodiano.
A ideia para fazer esse post surgiu hoje enquanto eu assistia um filme nacional na escola.. Eu amei o filme e fiquei pensando em outras produções que eu tinha visto e que eram realmente boas mas que se eu perguntar para as pessoas se elas já viram elas vão dizer que não e muitas ainda vão dizer que não gostam de filmes nacionais. Infelizmente nossa sociedade é incentivada a pensar que o de fora sempre é melhor e não valoriza obras que tem dentro de seu próprio país e que tem tanta qualidade quanto outras de fora.
Além de tentar quebrar esse tabu, esse post vai servir como uma indicação de filmes para quem ainda não viu poder ver, uma vez que os 5 filmes que vou indicar são filmes que eu amei e acho muito bons (e que não são super conhecidos como o Tropa de Elite, por exemplo). Sem mais delongas, fiquem com a lista (que não está em ordem de preferência).
1- A Hora da Estrela - Suzana Amaral (1985)
Esse foi o filme que inspirou essa lista, é baseado em um romance de Clarice Lispector e é um filme que praticamente revolucionou na época em que foi lançado pois é um dos primeiros filmes nacionais que não segue o padrão hollywoodiano e nem tem um ritmo frenético, uma vez que ele é um drama psicológico e por isso tem um roteiro bem mais parado. Porém, é um filme profundo e tem algumas cenas genuinamente engraçadas, o que o torna totalmente o oposto de chato.
Ele conta a história de Macabéa (Marcélia Cartaxo), uma jovem de 19 cuja mãe morreu ao lhe dar a luz, o pai também morreu e ela era criada por sua tia, que também vem a falecer, a deixando sozinha. Macabéa tem que se virar então ela consegue um emprego (pelo qual recebe uma mixaria que mal dá para sobreviver) como datilógrafa. Porém, Macabéa tem questionamento à respeito de quem ela é e de como as coisas são, você logo nota pela expressão dela que ela é ingênua e infeliz pois sente que algo lhe falta. É quando aparece Olímpico de Jesus (José Dumont), pelo qual Macabéa se apaixona, mas que é muito grosso com ela. Só que ela é bobinha então prefere ficar quieta e não discutir com nada do que ele fala.
Não vou contar mais senão darei muito spoilers, mas esse filme vale a pena pela sua trilha sonora, seu ótimo roteiro que prende sua atenção mesmo sendo um filme parado e pela ótima atuação de Marcélia Cartaxo, que encarna e demonstra perfeitamente a infelicidade e ingenuidade da jovem Macabéa e que inclusive ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim pelo filme. Além disso, esse filme foi indicado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1986.
Abaixo tem o filme completo para quem se interessar:
2- Tapete Vermelho - Luiz Alberto Pereira (2006)
Eu já me interessaria de cara por esse filme por um simples detalhe: O ator que o protagoniza é o Matheus Nachtergaele (meu ator nacional preferido). Porém, tirando o fato de ser protagonizado por ele (que inclusive dá um show em sua interpretação por ser um ator naturalmente cômico), o filme é ótimo pois é uma comédia que traz a seguinte reflexão por trás de tudo: Será que a tecnologia tem mesmo que influenciar em tudo? Será que as pessoas que vivem sem ela vivem mal ou será que a vida era melhor sem tanta tecnologia?
Na trama, Matheus Nachtergaele interpreta Quinzinho (que é totalmente inspirado na figura do "Jeca Tatu"), um pai que está determinado à realizar o desejo de aniversário de seu filho e para isso ele e sua família partem de sua casa na roça até a cidade mais próxima onde tenha um cinema para que o menino possa ver um filme do Mazzaropi. Infelizmente, quando chegam ao cinema eles descobrem que há muito tempo não passam mais os filmes do Mazzaropi no cinema, mas Quinzinho não desiste e eles continuam sua caminhada percorrendo várias cidades na busca de um cinema que ainda passe os filmes do Mazzaropi. Durante essa viagem vão acontecendo várias situações engraçadas e ao mesmo tempo reflexivas. Além disso, o filme mostra muito do folclore e da cultura das pessoas do interior.
A obra conclui com sucesso sua missão de mostrar como as pessoas da cidade enxergam as pessoas da roça, todo o preconceito existente e além disso mostra a vida dessas pessoas que vivem do que a terra lhes provém, não tem nossa tecnologia e as vezes são até mais felizes assim. Super recomendo essa bela homenagem ao Mazzaropi, eterno Jeca Tatu.
Abaixo um trailer: (E, se quiserem ver, essa é a minha cena preferida do filme)
3- O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias - Cao Hamburguer (2006)
Pois é, 2006 foi um ano de bons filmes haha. Este filme já é um pouco mais tenso do que A Hora da Estrela, pois é um drama que se passa na época da Ditadura Militar. Esse fato em si já trouxe um pouco do prestígio que o filme tem, pois Cao Hamburguer foi extremamente competente em passar o sentimento presente e a atmosfera vivida naquela época.
O filme conta a história de Mauro (Michel Joelsas), um garoto de 12 anos que adoro futebol. Um dia seus pais saem de férias inesperadamente sem motivo aparente e o deixam com sua avó, que morre um pouco depois que o menino chega em sua casa, fazendo com que ele fique aos cuidados de Shlomo(Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho.
Todos os dias Mauro espera por um telefone de seus pais, porém o que ele não sabe é que seus pais foram obrigados a fugir por serem militantes da esquerda, que eram perseguidos pela ditadura militar. E assim o filme continua, com você acompanhando a vida de Mauro, sua tristeza por achar que foi abandonado por seus pais e os dilemas de sua pré-adolescência.
O filme é engraçado em alguns momentos, afinal Mauro tem que ter alguns momentos de alegria certo? E a maioria desses momentos se dão devido à Copa do Mundo. Entretanto, ele é um filme forte, profundo e comovente. Super recomendo e destaco a Direção de Arte e a Fotografia que estão ótimas e representam perfeitamente a época em que o filme se passa. Aliás, esse filme foi premiado pela Direção de Arte, Fotografia, Edição, Som, Roteiro e pela performance do jovem Michel Joelsas, que realmente dá um show em sua atuação. Não é à toa que o filme foi indicado como representante de Melhor Filme Estrangeiro do Óscar de 2007, não é?
Abaixo o filme completo, caso se interessem:
4- O Auto da Compadecida - Guel Arraes (2000)
Este filme é, com certeza, o meu filme nacional preferido de todos os tempos <3. Atuação perfeita do meu querido Matheus Nachtergaele como João Grilo e do Selton Melo como Chicó. Ele é inspirado na obra homônima de 1955 de Ariano Suassuna e também possui elementos de "O Santo e a Porca" e "Torturas de um Coração", ambos do mesmo autor. Em 1999 a globo lançou uma minisserie de mesmo nome e com os mesmos atores, que foi o que serviu de gancho para o filme.
O filme se passa no sertão nordestino e conta a história de João Grilo (um sertanejo mentiroso) e Chicó (maior covarde da região), ambos muito pobres e que sobrevivem de "roubos" e trapaças enquanto vagão pelo sertão. Em um desses roubos eles se envolvem com Severino de Aracaju (Marco Nanini), um temido cangaceiro, que os persegue pela região.
O filme é uma mistura de drama com comédia (sendo esta muito mais predominante) e aborda também os aspectos culturais e religiosos do nordeste. Eu, sendo de família baiana, sempre tive um amor muito grande pelo nordeste e sua cultura, o que influenciou ainda mais para que eu amasse esse filme. Eu diria que João Grilo é o personagem mais cômico do cinema nacional e Matheus Nachtergaele parece ter nascido para o papel.
O filme foi bastante premiado, inclusive o próprio Nachtergaele ganhou vários prêmios de melhor ator por O Auto da Compadecida, o Roteiro está impecável e a Direção de Arte ambientou perfeitamente o sertão nordestino. Quem não assistiu, para tudo e vê esse filme agora porque ele é maravilhoso, uma obra prima do cinema nacional.
Abaixo o trailer: (e aqui tem o filme completo)
5- Olga - Jayme Monjardim (2004)
Eu costumo dizer que Olga é aquele filme que ou você ama, ou você odeia. Na época de seu lançamento ele não foi muito bem recebido pela crítica, que dizia que ele era um filme "extremamente televisivo", porém como não estou indicando os melhores filmes nacionais e sim alguns que eu considero bons, achei que fosse legal citar Olga já que ele se passa no período Nazista e conta uma história real.
O filme conta a história de Olga Benário (Camila Morgado), militante comunista desde jovem que é perseguida pela polícia e foge para Moscou. Lá ela faz treinamento militar e é encarregada de acompanhar Luís Carlos Prestes (Caco Ciocler) ao Brasil para liderar a Intentona Comunista de 1935, se apaixonante por ele na viagem. Com o fracasso da Revolução, Olga (grávida de 2 meses) e Prestes são presos, mas Olga é deportada por Getúlio Vargas para a Alemanha e tem sua filha Anita Leocádia na prisão feminina do Campo de Concentração de Barnimstrasse.
Vou parar por aqui senão acabo entregando o final do filme, mas a filha da verdadeira Olga disse que não gostou do final. Eu confesso que também não gostei, mas o filme está nessa lista por ambientar perfeitamente o cenário do período nazista, ter um fotografia linda e pela bela atuação de Camila Morgado. É um filme interessante de assistir e sentir um pouco a atmosfera do período nazista. Mas prepare-se para chorar e achar algumas coisas muito cruéis, afinal, nazismo né..
Esse filme ganhou várias premiações, incluindo Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte. Além disso, o filme foi escolhido como um dos possíveis representantes do Brasil no Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas não foi indicado.
Abaixo o trailer:
Wow, esse foi um dos maiores posts que eu já fiz, mas eu amei falar sobre cinema <3. Lembrando apenas que os filmes que eu falei foram filmes que eu vi e gostei. Vários outros filmes que dizem ser bons não foram citados pelo fato de eu ainda não ter visto e não poder dar a minha opinião à respeito, mas assim que eu assistir eu faço uma parte 2 desse post se vocês quiserem.
Menções honrosas: Dois Filhos de Francisco (2005), Morte e Vida Severina (1977), Vidas Secas (1963), Macunaíma (1969), Tropa de Elite 1 e 2 (2007 e 2010).
Obs: Para terem ideia do quão boa Fernanda Montenegro é: Dos 5 filmes ela atua em 3.
Por hoje não foi só isso, daqui a pouco tem o post do desafio musical.. Espero que tenham gostado :D
Beijos de luz,
Stéfani Reis.


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